Por Cecília Dionizio
Em qualquer idade a mulher, ao pensar em fazer uso de pílulas antinconcepcionais, começa a ter uma série de dúvidas. E muitas vezes, mesmo com recomendação médica, a maior dificuldade é confiar se aquela foi mesmo a melhor indicação, diante da imensa quantidade de opções existentes hoje no mercado. Portanto, nada mais natural do que o surgimento da dúvida sobre qual delas é a mais apropriada. O Diário consultou alguns dos mais renomados profissionais sobre o assunto e eles dizem o que cada uma das pílulas consideradas de última geração pode trazer de benefício ou malefício para o organismo. Antes de mais nada é preciso analisar, criteriosamente, as características de cada uma delas e para qual função a pílula está indicada, segundo o ginecologista e obstetra Abner Lobão Neto, professor da Universidade Federal de São Paulo, e gerente médico da Jansen Cillag, um dos laboratórios fabricantes de contraceptivos.
Segundo Lobão Neto, a pílula Minesse possui uma dosagem muito baixa (15mcg) de hormônios, ao passo que a Yasmin tem uma função antiandrogênica (combate os caracteres masculinos) e é, levemente, diurética. Já as mais antigas, como a Cerazette, são à base de progesterona, por isso são mais indicadas para o período pós-parto e quando há contra indicação do estrogênio. E a Diane 35, há anos comercializada por ser um forte antiandrogênico, não é aprovada como contraceptivo no Brasil. O médico lembra ainda, que ao optar pelo uso de anticoncepcional injetável, devido à sua facilidade, é preciso lembrar que esta é a forma que mais efeitos colaterais pode trazer para o organismo, especialmente, se for trimestral.
Em geral, o uso das pílulas gira em torno de 21 dias, e devem ser tomadas todos os dias, continuamente. “Deve-se procurar tomar os comprimidos sempre no mesmo horário do dia”, diz o ginecologista. Já os injetáveis têm formato mensal e trimestral. Além destes, existem outros métodos contraceptivos conhecidos, tanto recém-lançados como também já consagrados pelo tempo. Dentre os mais recentes estão os implantes subcutâneos, com trocas a cada três anos; o anel vaginal, que deve ser substituído há cada três semanas, e o dispositivo intra-uterino (DIU), que libera progesterona e pode ser usado, em média por três anos, consecutivos. E ao lado de todas essas opções está uma que vem se firmando como importante opção para as jovens, uma vez que modelos têm usado como forma de marcar a necessidade da prevenção à gravidez precoce. Lançado há cerca de dois anos, o Evra, como é comercializado, é o adesivo semanal transdérmico, que deve ser trocado a cada sete dias.
Abner lembra que é impossível descartar que qualquer contraceptivo, esteja isento de efeitos colaterais, todavia, eles vão ser mais ou menos importantes de acordo com a aceitabilidade de cada pessoa. “Os efeitos colaterais das pílulas e demais formulações hormonais podem ser divididos entre os razoavelmente comuns a todos e os específicos de cada método”, diz. Entre os sintomas mais comuns, presentes em quase todos os métodos estão: dores nas mamas, gastrointestinais, dor de cabeça, alterações em relação ao sangramento menstrual. Os implantes provocam mais irregularidade menstrual, o injetável trimestral aumento de peso e irregularidade menstrual, enquanto o anel (Nuvaring) já apresentou episódios de corrimento e eventual desconforto durante a relação sexual. O DIU apresenta risco de expulsão do útero e para algumas mulheres o adesivo (Evra) provoca uma leve irritação da pele, no local de aplicação, nos primeiros ciclos. Formulações de uso diário levam a um risco maior de esquecimentos que podem comprometer a eficácia do método, especialmente em mulheres “esquecedoras” crônicas.
Abner Lobão explica que nesse sentido, formulações como o contraceptivo semanal transdérmico, entre outras não diárias, podem ser mais interessantes. Além disso, formulações não orais permitem que o fígado seja poupado dos efeitos diretos dos hormônios. Ou seja, mais uma vez se comprova que é indispensável que cada mulher receba o acompanhamento de seu médico de confiança para se certificar se o seu método é o melhor. O ginecologista Ricardo Barini, professor da Universidade de Campinas (Unicamp), concorda com as observações de Abner Lobão, porém observa que antes de recomendar a pílular é imprescíndivel reconhecer o perfil hormonal de cada paciente, para evitar futuros transtornos, alertando-as, inclusive, para o que poderá ocorrer caso elas insistam no seu uso. “Antes, há que se definir se ela quer apenas regularizar o ciclo ou evitar uma gestação, ou ainda realizar um tratamento de síndrome de ovários policísticos, por exemplo”, afirma.
Combate males com menos efeitos colaterais
O ginecologista Ricardo Barini, da Universidade de Campinas (Unicamp), explica que no caso da pílula Yasmin, por exemplo, é preciso observar que as baixas quantidades de progesterona e estrógeno, em parte por ser mais diurética, induzem muitas mulheres a fazer o uso equivocado. “Há casos em que a paciente necessita de uma quantidade mais elevada de hormônios para que a pílula alcance sua função com êxito”, diz. O médico reforça o risco de uma mulher fumante fazer uso combinado do cigarro com um contraceptivo, quando seu desejo é, por exemplo, o de tratar os sintomas da síndrome de ovários policísticos (SOP), que pode levá-la a menstruar de forma irregular, a ter pêlos, entre outros desequílibrios por conta do excesso de hormônios andrógenos. É preciso ter em mente quais os riscos/benefícios envolvidos.
Barini lembra que há mulheres que são incentivadas a usar a pílula, não apenas para evitar a gravidez, mas também para poupar um pouco o ovário, quando esse tende a formar pequenos cistos, com a menstruação normal. Por outro lado, o ginecologista lembra que as pílulas antigas em momento algum estão descartadas. Pílulas como a Mínima, uma das mais recentemente lançadas, mesmo a Minesse e a Yasmim, por exemplo, se destinam a determinadas classes econômicas, uma vez que o custo é mais elevado se comparado com aquelas usadas por mulheres de classes econômicas mais baixas. “O que as diferencia, no geral, é o fato da quantidade de hormônios presentes nas novas apresentações ser menor e, por isto, provocar menos efeitos colaterais”, diz.
Ovários policísticos
Já o dermatologista Ademir Júnior, especialista em endocrinologia e na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), de São Paulo, observa que de fato cada pílula tem sua indicação e ele as indica quando suas pacientes sofrem com excesso de peso, retenção líquida ou problemas de pele ocasionados pela síndrome. “A composição hormonal de cada pílula é que vai mostrar se trará vantagens ou desvantagens para a paciente”, diz. O médico cita o exemplo da pílula Diane 35, que considera uma boa indicação no tratamento de problemas da pele como acne e excesso de pêlos. “Por outro lado, explica que a pílula pode facilitar a retenção de líquidos em mulheres que têm predisposição a este problema. Nestes casos a Yasmin tomaria o lugar da Diane por facilitar a eliminação do excesso de líquidos do corpo e por também agir na pele”, diz. O médico diz que definir qual é melhor só é possível mesmo a partir do efeito que se espera e da boa aceitação por parte da paciente. “Isto sem que ela sofra alterações corporais negativas ou mesmo desconforto ao tomá-la”, conclui.
Fonte:http://72.30.186.56/search/cache?ei=UTF-8&p=os+efeitos+colaterais+do+cerazette&sado=1&fr=sfp&u=www.diarioweb.com.br/noticias/imp.asp%3Fid%3D61178&w=os+efeitos+colaterais+cerazette&d=d1atdJ2uSfw9&icp=1&.intl=cd